APOIO CULTURAL

 
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VISÃO DO PROJETO

 

Por Monica Okamoto:

 Esse webdocumentário tem como proposta repensar a construção da imagem de “sucesso” profissional dos nipo-brasileiros dentro da nossa sociedade. Repensar porque até hoje muito se tem ressaltado acerca da visibilidade positiva dos imigrantes japoneses e seus descendentes que conseguiram mobilidade social por meio do esforço, da disciplina, mas, principalmente, da educação. Índices altos de aprovação de nipo-brasileiros nos cursos tradicionais de prestígio como Medicina, Engenharia e Direito das principais universidades públicas brasileiras, desde a década de 1950, comprovam essa fama dos nikkeis. Por outro lado, certos segmentos profissionais como dança, literatura, jornalismo, artes cênicas entre outros continuam com pouca presença desse grupo étnico-racial.

Este projeto tem como objetivo, portanto, expor esse outro lado da história dos nikkeis, apresentando os relatos orais de personagens sociais que foram pioneiros em campos profissionais, onde a representatividade dos asiáticos permaneceu negativa por muito tempo, e mesmo atualmente ela é considerada discreta.  A ideia é mostrar como esses profissionais encontraram soluções, por vezes, criativas para superarem os estereótipos e as barreiras étnicas, em um país onde, segundo alguns estudiosos, a questão racial ainda predomina sobre a social.

Passaremos por três gerações de nikkeis, ou seja, os que iniciaram suas carreiras nas décadas de 1970, 1990 e na atualidade, dando maior ênfase às gerações mais novas.

 

Por Pedro Tinen: 

NipoBrasileiros foi um trabalho desenvolvido a partir das ideias de colaboração, escuta e de pluralidade de pensamentos. Originalmente idealizado pelo Embaixador Edmundo Fujita (e concebido pela Embaixatriz Maria Ligaya
Fujita e pela Professora Mônica Okamoto), o documentário surgiu como uma investigação sobre a inserção dos nipo-descendentes em diferentes áreas de trabalho, com ênfase nas carreiras vistas como “não-tradicionais”.

Desde o início, nosso objetivo nunca foi o de apresentar respostas fechadas para o tema, mas sim de apontar para a diversidade de questões que podem ser levantadas. É a partir daí que surge a nossa vontade de investir na escuta, de permitir que cada entrevistado sinta-se livre para compartilhar suas próprias experiências e para que – dessa forma – possamos propor um diálogo sobre as vivências nikkeis e amarelas no Brasil. Observamos que o diálogo deveria começar entre nós mesmos e decidimos optar por uma direção colaborativa: três diretores, sendo dois deles amarelos.

O processo de criação, logo, parte de questionamentos e conversas partilhadas por toda a equipe. Era necessário repensar as imagens e moldes pré-estabelecidos, afim de se promover uma conversa sobre as noções de “ancestralidade”, “minoria modelo”, “estereótipos” e sobre as próprias configurações étnico-raciais brasileiras. Contudo, mesmo almejando a discussão de temas complexos, nossa vontade era sempre a de contribuir com esse debate a partir das experiências dos indivíduos: de ouvir e compreender os discursos de cada sujeito. O resultado é um convite para o debate, um convite para a partilha de vivências e para escuta de todas elas.