“OS NOVOS NIPO-BRASILEIROS: ATUAÇÃO PROFISSIONAL E PENSAMENTO”

PROJETO DE DOCUMENTÁRIO

“OS NOVOS NIPO-BRASILEIROS: ATUAÇÃO PROFISSIONAL E PENSAMENTO”

 

Idealização: Embaixador Edmundo Sussumu Fujita (em memória) e Professor Doutor Masato Ninomiya.

Coordenação do Projeto de Extensão: Profª Monica Setuyo Okamoto.

Departamento de Letras Estrangeiras Modernas

Universidade Federal do Paraná

 

Colaboradores:

Maria Ligaya Fujita. (Viúva do Embaixador Edmundo Fujita)

Eliane Mizumoto Fujita. (Consultora operacional)

Gil Vicente Lourenção. (Pós-doutorando da Área de Antropologia, da UNICAMP)

Gary Strauss. (Músico e compositor)

Janete Leiko Tanno. (Professora Doutora da Área de História, da UENP)

Lilian Yamamoto. (Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação da Área de Direito Internacional, da UEL)

Simone Felipe Fernandes Nagumo (Mestre em Letras, pela Universidade de São Paulo)

 

Membros da equipe: alunos de Graduação (voluntários e bolsistas) do Curso de Letras Japonês da UFPR:

 

Arnaldo Ohno.

Giorgia Vittori Pires

Maico Cristiano

Nicole Pacheco Toledo

Sílvio de Menezes Silva.

Willians de Castilho

 

 

1)      Sinopse

 

Este projeto tem como objetivo discutir a mudança de mentalidade dos nipo-brasileiros ao longo da história da imigração, por meio de um documentário. Serão realizadas entrevistas com nikkeis que alcançaram destaque social e profissional no Brasil e no exterior no período pós-guerra até o presente momento e que, de certa forma, romperam com estereótipos criados pela sociedade brasileira e pelos próprios descendentes nas décadas anteriores. Por outro lado, mesmo fugindo de certos padrões, esses nikkeis pioneiros reconhecem a importância da etnicidade e da educação japonesa no sucesso profissional deles. A ideia é apresentar personagens sociais que foram pioneiros em campos profissionais, onde a representatividade dos asiáticos permaneceu negativa por muito tempo, e mesmo atualmente ela é considerada discreta. Passaremos por três gerações de nikkeis, ou seja, os que iniciaram suas carreiras nas décadas de 1970, 1990 e na atualidade, dando maior ênfase às gerações mais novas.

 

 

 

2)      Argumento e objetivos

 

Entre meados do século XIX e começo do século XX dois fatos eram inegáveis no Brasil: a influência francesa e o desejo de nossa elite mostrar-se civilizada e moderna no seio internacional. O programa do governo “Rio Civiliza-se”, amplamente divulgado pela Revista carioca Kosmos (1904-1909), é um exemplo nesse sentido. Contudo, a “maquiagem” externa remodelando a nossa capital, na época o Rio de Janeiro, não foi suficiente para convencer o Velho Continente, tampouco os próprios brasileiros de sua modernidade e progresso. Outro problema incômodo era a falta de unidade racial de nossa nação vista, lá fora, como degenerada pela miscigenação. Desse contexto histórico, podemos compreender as dissensões que ocorreram entre nossos estadistas em torno da permissão da entrada de imigrantes asiáticos em terras brasileiras. Enquanto alguns invocavam argumentos econômicos, outros apontavam para o perigo de novos cruzamentos raciais indesejáveis. Assim, de maneira sucinta, podemos dizer que os debates sobre esses tópicos ocorreram em exaustão e se sustentaram por quase um século no Brasil. Os debates na Assembleia Nacional Constituinte, na década de 1930, revelaram bem o clima político de discórdia entre nossos parlamentares, em torno da questão imigratória que se dividiu em pró e antinipônicos. Enfim, foi em meio a tantos pontos de vista conflitantes que a imagem dos japoneses foi produzida pela elite brasileira.

 

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os imigrantes japoneses iniciam o processo de integração dentro da sociedade brasileira e buscam a ascensão social e econômica por meio da educação em áreas tradicionais como Medicina, Engenharia e Direito. Nas décadas de 1960 e 1970, segundo o consulado japonês, havia somente no Estado de São Paulo, 560 engenheiros, 1.350 médicos, cinco juízes e 450 advogados nikkeis (LESSER, 2008, p. 45). Na atualidade, a situação não é muito diferente, ao observarmos a pesquisa realizada pelo G1, em 2015, acerca do perfil racial dos candidatos dos dez cursos mais procurados no vestibular na Universidade de São Paulo. As áreas tradicionais como Medicina e Engenharia continuam com maior procura pelo grupo étnico asiático, em contraponto ao curso de Artes Cênicas e Jornalismo, por exemplo. Ainda, segundo a reportagem, os cursos de Engenharia da Poli e de Direito da Faculdade São Francisco, que estão entre os mais concorridos na lista de candidatos por vaga, e considerados de prestígio, também figuram entre os mais procurados pelos nikkeis. [1]Dessa forma, notamos que muitos nikkeis ainda optam por carreiras em áreas tradicionais, e que, por outro lado, certos segmentos profissionais continuam com pouca representatividade do grupo étnico japonês.

 

Este documentário, portanto, tem como objetivo discutir a representatividade dos nikkeis dentro da sociedade brasileira. Até hoje muito se tem ressaltado acerca da visibilidade positiva dos imigrantes japoneses e seus descendentes por terem alcançado sucesso econômico por meio do esforço, da disciplina, mas principalmente da educação. Índices altos de aprovação de nipo-brasileiros nos cursos tradicionais mais concorridos, sobretudo Medicina, Engenharia e Direito das principais universidades públicas brasileiras, desde a década de 1960, comprovam a fama dos nikkeis e o bordão: “mate um japonês hoje e garanta a sua vaga na universidade amanhã”. Contudo, as novas gerações de nipo-brasileiros decidiram romper o “caminho seguro” e partir para campos pouco trilhados pelos seus antecessores.

 

Diante do exposto, este documentário irá expor o pensamento e a opinião desses nipo-brasileiros acerca dessa questão. Como eles analisam a inserção social e profissional deles no mundo que ainda parece ser de domínio predominantemente branco? E como eles negociaram a identidade nipo-brasileira em seus campos de atuação profissional? Notou-se que a presença da educação e da cultura japonesa é um denominador comum em todas as personalidades selecionadas para esse trabalho. Em outras palavras, direta ou indiretamente, muitos da nova geração de nikkeis continuam realizando releituras da cultura de seus antepassados.

Por fim, o que nos motiva é a oportunidade de relatar uma nova faceta dos nipo-brasileiros, fugindo um pouco das narrativas tradicionais acerca da história da imigração japonesa.

 

3)      Descrição do(s) objeto(s)

 

Formato do web: 8 episódios  (10 minutos cada)

,

1.       Edmundo Sussumu Fujita  - primeiro nipo-brasileiro a ingressar no Itamaraty na década de 1970.

2.       Relações internacionais (nisseis no MRE e na ONU)

3.       Jornalismo (Celso Kinjo e Leonardo Sakamoto)

4.       Dança (Yoshi Suzuki e/ou  Eduardo Fukushima/Bia Sano)

5.       Literatura (Oscar Nakasato (prêmio Jabuti) e Janaina Tokitaka)

6.       Empreendedorismo (Mayura Okura e Gustavo Tanaka)

7.       Liderança corporativa  (Carla Okamato e Aecio Nakayama)

8.       Atores: Rogerio Nagai e Ana Hikari)

9.       Painel de comentaristas sobre o webdoc – Provavelmente não teremos esse episodio

 

4)      Abordagem

 

Tipo de documentário: participativo e acadêmico.

Reconstituições por meio de fotos e documentos.

Intervenção do diretor(a) (quando houver).

Fará uso de voz-over.

 

 

5)      Cronograma de Produção

 

 

Captação de depoimentos;

Gravação de locução

Legenda em inglês

Edição

Confecção de arte final

Trilhas sonoras ou musicais

Divulgação

Pré-estreia (dez 2018)

 

 

 

 

6)      Público-Alvo

 

Acadêmicos, pesquisadores, professores do Ensino Médio e Superior e comunidade em geral.

 

A intenção é divulgar o documentário em universidades brasileiras e do exterior, bem como bibliotecas, fundações e museus de imigração.


[1] De acordo com o IBGE 2010, a presença de amarelos no Estado de São Paulo é de 1,3%.